Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

sóbria noite esta

Vai alta esta noite tão só. Ao meu redor, vislumbra-se uma paisagem de garrafas vazias ao longo do soalho, um punhado de copos semi-quebrados pela raiva profunda deste segredo trancado em nos. Desce tao baixo o meu olhar. Mal se aguenta perante a vergonha das suas acções, perdidas, num caminho pecaminoso que nao foi capaz de largar. Cai entao uma lagrima vazia. Com ela cai o mundo e tudo vira um limbo escuro e intemporal. Tudo vira uma bizarra visao de mim mesmo embriagado por um sorriso cono nao há outro igual. Cai agora a noite no rasgar do dia. Mas o limbo continua obscuro como o pensamento que agora me recai sobre o peito. Levanto-me cambaliando de felicidade, por num ultimo segundo poder sentir o calor desse teu leito.

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

sombras nocturnas

esgueira-se a noite nas esquinas desta calmaria, trazendo com ela o silencio do escuro, nesta cidade tudo me arrepia, nestas escadas escondo-me e perduro. Permaneço quieto, estatico perante esta chama negra, tremem as palpebras do meu ser e, choro o sangue derramado neste medo que me penetra. sinto o encarceramento no teu peito, enquanto descansas no nosso repouso, olho o fogo saido dos candeeiros , sinto o frio.. tao gelido e pavoroso. Mas num longo segundo, fecha-se-me o olhar, enche-se em mim uma força tal e começo a caminhar. E agora, agora divago perdido nesta avenida do deserto, de olhos fechados ao mundo e a sua hipocrisia, digo hoje seguro de mim, custou mas fiquei esperto.

Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Culpa...

Estou ofuscado, tão ofuscado que nem sei onde me dirigir. Esqueci a vida...a minha vida e a vida que tinha sonhado para mim. Enterrei-me em sonhos banais, garrafas empilhadas em noites imortais, que foram nada menos nada mais, que absurdos chorados hoje em lagrimas irreais. Surreal sim, é isto que agora carrego na esquerda do meu andar. Isto que me aperta a consciencia, isto que nem sei o que é, e que tenho medo de olhar. Não te irei nunca, mas nunca mesmo partilhar. O mundo que vive nao tem capacidade para entender tamanho peso, tamanha monstrosidade que por tua causa carrego no olhar.
Guarda-se em mim sob pena de me atormetar. O mundo chama-te culpa mas es tao mais destrutiva que nem sei como te chamar.

Sinto-os tao pesados. Mas por vez alguma as vi cair. haveis secado a fonte da minha alma, retirado a luz do caminho que destinadamente teria de seguir.

sou, nao sei...

sou sim, sei que sou!!
sou alto e vigoroso,
mas baixo e desajeitado...
tenho um braço grande e grosso,
nao conseguindo pegar num copo de leite achocolatado.
Sou sim, so eu sei,
que a minha beleza ninguem a tem.
verrugas que brilham nas sombras,
pele seca que de uma serpente herdei.
acordo entao e nem sei,
se sou eu ou se sou outro alguem.
nas laminas frias da madrugada,
olho para la do horizonte e ainda nao me encontrei.
Ja dizia o lendário,
hoje sei que nada sei.
hoje sou so eu e o meu ego,
amanha serei eu sem mais ninguem.

Logo acordo atordoado,
com uma dor que nao sei de onde, nem para onde vai.
No meu reflexo, olho preplexo para esta dor
que se assenta, nesta lagrima que de mim cai.