segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Mundo ordinário

Acordo no meio de lágrimas que não são minhas. No meio de gritos que não gritei. Ela diz-se triste porque o perdeu. Eu vi mas não liguei. Não me importei sequer. Porque tudo aquilo foi meio banal. Ela diz que a sua maior tristeza é não o ter. Vê-se que ela não sabe nada afinal. Fala de tristeza com uma leveza que me arrepia o pensamento. Pois aos meus olhos, triste é ver a fome numa criança. Saber que morre uma a cada momento. Triste é ver em cada canto um velho trabalhador. Que deu toda a sua vida aqueles que agora desviam o olhar. Ver nos seus olhos a vontade de desistir. O desejo de ter um teto onde habitar. E para ti!? diz-me tu o que te mói o coração. Será o bebe abandonado na lixeira ou a tareia que levou um cão!? Serão todas as doenças que destroem sonhos pequeninos!? Sonhos que nascem de esperanças gigantes. Enormes seres de palmo e meio num mundo tão minúsculo. A mim destrói-me este egoísmo que nunca vi antes. Pessoas vazias. Que vivem em depressões futilizadas. Porque o seu clube não ganhou o campeonato ou porque as suas calças ficaram mal arranjadas. E todas as crianças que são chicoteadas!? Parecendo animais que carregam fardos 16 horas por dia. Tudo para que esses corpos que andam perdidos, possam vazar mais um pouco essa mente já tão vazia. Eu choro sim. Pelas vitimas das discussões do mundo. Pelos cães vadios que só queriam um espaço para se abrigar. Pelo mendigos que lutam por um pedaço de pão. Pelos idosos que só precisavam de alguém para conversar. À noite quando adormeço, faço-o na esperança de que algo venha a mudar. Que todos "vocês" idiotas vazios abram os olhos e vejam o que se está a passar. Que o mundo se revolte contra a fome, se levante e aplauda a cura da malária. Que congratule aquele que vencer a sida. Q o ser humano deixe de viver esta vida tão ordinária...

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